Tuesday, May 16, 2006

O Recreio

Na minh’ Alma há um balouço
Que está sempre a balouçar
—Balouço à beira de um poço,
Bem difícil de montar...

— E um menino de bibe
Sobre ele sempre a brincar...

Se a corda se parte um dia
(E já vai estando esgarçada),
Era uma vez a folia;
Morre a criança afogada...

— Cá por mim não mudo a corda
Seria grande estopada...
Se o indez morre, deixá-lo...
Mais vale morrer de bibe
Que de casaca... Deixá-lo
Balouçar-se enquanto vive...

— Mudar a corda era fácil...
Tal ideia nunca tive...

(Mário de Sá-Carneiro)

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